Meu Diário.

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terça-feira, 17 de abril de 2012

Dez meses.

Porque quando ela olhava para a paisagem fria à fora, nada via, nada sentia.
Tudo era escuro e sem vida, a unica coisa que ainda conseguia escutar, era o som do seu coração batendo.
Eu quando ela o viu pela primeira vez, era como se a o frio estivesse indo embora, dando lugar para o calor do sol, porque ela estava vendo o sol.
E então, ela foi em busca do que pensava ser certo.
E hoje faz dez meses que isso aconteceu.
Dez meses que ela descobriu o que é o amor.

quinta-feira, 12 de abril de 2012

Desassossego


Mas há mais alguma coisa…
Nessas horas lentas e vazias,
sobe-me da alma à mente uma tristeza de todo o ser,
a amargura de tudo ser ao mesmo tempo
uma sensação minha e uma coisa externa,
que não está em meu poder alterar.
Ah, quantas vezes os meus próprios sonhos se me erguem em coisas,
não para me substituírem a realidade,
mas para se me confessarem seus pares em eu os não querer,
em me surgirem de fora,
como o elétrico que dá a volta na curva extrema da rua,
ou a voz do apregoador noturno, de não sei que coisa,
que se destaca, toada árabe, como um repuxo súbito,
da monotonia do entardecer!

*Bernardo Soares

quinta-feira, 29 de março de 2012

quarta-feira, 28 de março de 2012

O Sangue Que Me Subiu À Cabeça


Ele disse: Vou comprar esse lugar e queimá-lo
Vou colocá-lo a seis palmos abaixo do chão
Ele disse: Vou comprar este lugar e vê-lo cair
Fique aqui atrás de mim perto das paredes caindo
Oh, Vou comprar este lugar e começar um incêndio
Fique aqui até que eu preencha todos os seus desejos do coração
Porque vou comprar este lugar e vê-lo queimar
Dê o troco das coisas que ele te fez

Ah, ah, ah
Ele disse: Oh, vou comprar uma arma e começar uma guerra
Se você puder me dizer alguma coisa por qual valha a pena lutar
Oh, eu vou comprar este lugar, é o que eu disse
Culpe o sangue que me subiu à cabeça

(E) Querida
Todos os movimentos que você está começando a fazer
Veja-me esfarelando e caindo na minha face
E eu sei os erros que cometi
Vejo isso tudo desaparecer sem deixar traços
E eles chamam como eles chamam você a continuar
Eles disseram: comece como você quiser
Comece como você quiser

Ele disse: Vou comprar este lugar e vê-lo ir
Espere aqui ao meu lado, baby, e veja o laranja brilhar
Alguns vão rir e alguns só vão sentar e chorar
Mas você só vai se sentar aí e pensar o porquê
Então vou comprar uma arma e começar uma guerra
Se você puder me dizer alguma coisa por qual valha a pena lutar
Vou comprar este lugar, é o que eu disse
Culpe o sangue que me subiu à cabeça

E Querida,
Todos os movimentos que você está começando
Veja-me esfarelar e cair, na minha face
E eu sei os erros que cometi
Vejo isso tudo desaparecer sem deixar traços
E eles chamam, como eles chamam você a continuar
Eles disseram: comece como você quiser
Comece como você quiser, comece como você quiser

Então me encontre pela ponte, encontre-me pela vereda
Quando vou ver aquele lindo rosto de novo?
Encontre-me na estrada, encontre-me onde eu disse
Culpe tudo isso pelo
Sangue que me subiu à cabeça.

"Mas há mais alguma coisa… nessas horas lentas e vazias, sobe-me da alma à mente uma tristeza de todo o ser, a amargura de tudo ser ao mesmo tempo uma sensação minha e uma coisa externa, que não está em meu poder alterar."

Alterar. Como alterar algo em você, que está presente desde a sua infância?
Eu gostaria de poder dizer que eu sou uma pessoa alto astral e blábláblá.

Mas eu não sou isso. Há muito tempo venho lutando para ser mas, eu cansei.

Vou ser o que devo ser.

terça-feira, 27 de março de 2012

quinta-feira, 22 de março de 2012

Assim organizar a nossa vida que ela seja para os outros um mistério, que quem melhor nos conheça, apenas nos desconheça de mais perto que os outros. Eu assim talhei a minha vida, quase que sem pensar nisso, mas tanta arte instintiva pus em fazê-lo que para mim próprio me tornei uma não de todo clara e nítida individualidade minha.


Bernardo Soares

Vou dormir, dormir, dormir, vou dormir sem despertar, mas não dormir sem sentir que estou dormindo a sonhar.




A única realidade para mim são as minhas sensações. Eu sou uma sensação minha. Portanto nem da minha própria existência estou certo. Posso está-lo apenas daquelas sensações a que eu chamo minhas.

A verdade? É uma coisa exterior? Não posso ter a certeza dela, porque não é uma sensação minha, e eu só destas tenho a certeza. (…)
Procurar o sonho é pois procurar a verdade, visto que a única verdade para mim, sou eu próprio. Isolar-se tanto quanto possível dos outros é respeitar a verdade.

Fernando Pessoa
Eu, eu mesmo…
Eu, cheio de todos os cansaços
Quantos o mundo pode dar.—
Eu…
Afinal tudo, porque tudo é eu,
E até as estrelas, ao que parece,
Me saíram da algibeira para deslumbrar crianças…
Que crianças não sei…
Eu…
Imperfeito? Incógnito? Divino?
Não sei…
Eu…
Tive um passado? Sem dúvida…
Tenho um presente? Sem dúvida…
Terei um futuro? Sem dúvida…
A vida que pare de aqui a pouco…
Mas eu, eu…
Eu sou eu,
Eu fico eu,
Eu…
— Álvaro de Campos (4-1-1935)

(…)


Assim como falham as palavras quando queremos exprimir qualquer pensamento,
Assim falham os pensamentos quando queremos pensar qualquer realidade.
Mas, como a essência do pensamento não é ser dita, mas ser pensada,
Assim é a essência da realidade o existir, não o ser pensada.
Assim tudo o que existe, simplesmente existe.
O resto é uma espécie de sono que temos,
Uma velhice que nos acompanha desde a infância da doença.

O espelho reflete certo; não erra porque não pensa.
Pensar é essencialmente errar.
Errar é essencialmente estar cego e surdo.

Estas verdades não são perfeitas porque são ditas,
E antes de ditas, pensadas. (…)
Alberto Caeiro [1-10-1917]

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